martes, 3 de agosto de 2010

Relatório do Chefe de Polícia da Corte, 1880 – 1881.

“Esta outra chaga de nossa sociedade, tão bem estudada e descrita por meus dignos e ilustres antecessores, não tem melhorado de feição nem de caráter.

Grande é o numero de menores que, órfãos ou abandonados por seus próprios pais, vagam pelas ruas da cidade entregues á ociosidade e á vadiação.
Esses menores, sem educação, sem ocupação e sem trabalho, ou vão engrossar as maltas dos capoeiras, ou tornam-se auxiliares dos vagabundos, que os aproveitam para as suas excursões criminosas.
Entre eles avultam os estrangeiros, principalmente portugueses e italianos que, aparentando viverem da industria de vender GAZETAS, engraxar botas ou tocar instrumentos de musica, dão-se na realidade á pratica de pequenos delitos e de atos imorais.
No propósito de beneficiar a esses jovens desgarrados com a expectativa de melhor futuro, tem a policia os mandado apresentar aos juizes de órfãos, que por sua vez os têm empregado a alguns de nossos fazendeiros do interior, para os empregar na lavoura. Esta medida, sugerida pela falta de estabelecimentos apropriados,
colônias agrícolas, onde pudessem ser admitidos tais menores, era a única providencia que em nossas circunstancias atuais poderia ser tomada...”19.
19 Relatório do Chefe de Polícia da Corte, 1880 – 1881.
http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/cp000052.pdf

domingo, 1 de agosto de 2010

1823-PORTUGAL - Gimnasia de Luchas en la instrucción pública


FUENTE: ALBUQUERQUE, Luís da Silva Mousinho de, 1792-1846

Ideas sobre o estabelecimento da instrucção publica.... - Paris : Impresso por A. Borée, 1823
http://purl.pt/6412/1/P39.html

sábado, 17 de julio de 2010

Gingado Malandro

Revista SEMEAR 6

MASCULINIDADE E MODERNIDADE EM EÇA DE QUEIRÓS
José Carlos Barcellos - UFF
...............................Nas décadas de 30 e 40, os sambas narram segmentos de cotidiano nos morros e nas novas favelas que foram surgindo, referindo-se muitas vezes a tipos sociais como o malandro, o valente, o malfeitor. O teatro de revista, desde a última década do século passado, os esquetes humorísticos do rádio e, posteriormente, nos anos 50, da televisão, as crônicas dos jornais populares, a novela, enfim, a mais variada produção cultural fixou, entre os anos 20 e os 50, alguns desses tipos que constituíram essa tradição. Encontra-se lá toda uma narrativa que ainda hoje "faz sentido", é "familiar" e que até ultrapassou os limites da tradição da cidade para se incorporar ao vocabulário brasileiro. A figura do "malandro" é, de todas, a mais significativa, abrangente e complexa, e também a mais persistente.


Dei-me conta do quanto ainda desconhecemos das trocas e interações das imagens mínimas que constituíram esse universo de sentido que chamamos de "malandro", quando viajava, em 1989, de trem, de Lisboa a Paris. Em minha cabine instalaram-se um português de Lisboa, que jamais veio ao Brasil e nem parente tem por aqui, e um uruguaio que também não nos conhecia. A tantas, o lisboeta me perguntou de qual bairro gostara mais em sua cidade. Respondi-lhe que me fascinara o Bairro Alto, onde reencontrara aspectos do que imaginava ter sido o Rio antigo. Ele comentou rapidamente, rindo, que lá, até há pouco tempo, era a área dos "rufias". Fiz-me de desentendido e perguntei-lhe o que eram "rufias".
Ele levantou-se na cabine, e gingando feito um malandro capoeirista tipicamente carioca, que ele nunca encontrou, me mostrou a ginga dos antigos rufias do Bairro Alto. Fiquei sabendo também que alguns se vestiam com camisas listradas, que portavam navalhas e exploravam o lenocínio. Eram perigosos, matavam facilmente e vi-viam tendo problemas com a polícia. O uruguaio falou também "de los rufiones" de Montevideo, mas deixou claro que não andavam balançando, eram "machos", duros, rígidos, brilhantinados, o que deixava claro que estava por fora do que eu e o português partilhávamos naquela conversa. Fiquei matutando sobre, e me dei conta de que o "malandro" carioca pode ter vindo de Lisboa, dos fadistas e dos rufias, e não apenas dos negros libertos e brancos pobres do Segundo Império, como muitas vezes se pensou. Esses apenas reinvestiram numa tradição, cujas matrizes, perdidas, podem recuar para muito mais tempo antes. Os tipos literários do romance picaresco desenvolvem algumas das principais representações desse estilo de vida individualista pré-moderno, intersticial, que a língua italiana fixou no termo malandrino, de onde se originou a palavra portuguesa. Há condensações variadas entre o malandrino italiano, o mandrião espanhol, o patife português, o "apache" e suas variantes: o malin, o coquin, o vaurien e o vagabond francês, o vagabundo simplesmente (do antigo latim, vagativu = vadio): todos são representados por atributos que condensam os atributos de ocioso, de insolente, de maroto, de esperto, de velhaco e, no limite, de canalha e de bandido.
http://www.letras.puc-rio.br/catedra/revista/6Sem_16.html

sábado, 26 de junio de 2010

AMADO, Jorge. Jubiabá (1931). Rio de Janeiro: ed. Record,1982

A construção da identidade negra no filme "Jubiabá"

Maria Angela Pavan 1
Dennis de Oliveira 2
.......................Mas a distinção racial mais nítida é em relação a percepção corporal. Em várias passagens do filme, fica demonstrado (denotado) as distintas percepções corporais entre brancos e negros. Citamos algumas:
a-) morte e ausência – A Tia Luiza é internada e se ausenta no início do filme, com o corpo em movimento. A mulher do comendador morre com a degeneração do corpo que vai ficando cada vez mais inerte. O mesmo ocorre com o comendador, quando morre do coração no bordel. A degeneração do corpo dos personagens brancos infere um uso instrumental do mesmo, ao passo que o corpo em movimento, em transe, implica em uma percepção corporal próxima do sagrado, típica das culturas populares negras.
b) no viver – Lindinalva perde suas esperanças quando na morte de seu pai se vê sem alternativa e tristemente se prostitui. Já Roselda (representada pela atriz Zezé Motta) amiga de Baldo conta sua vida que foi pautada de muitas dores, mas de sua dor brota criatividade para dança, movimentos e sorrisos.
c-) castigo corporal/prazer corporal – o uso instrumental do corpo fica evidente também no castigo físico imposto pelo comendador a Baldo, o que implica em vilipendiar o corpo. Contrariamente a isto, após ser castigado, Baldo se masturba – o corpo que foi objeto do castigo do branco, é agora objeto de seu prazer.
d-) corpos em movimento – duas formas de corpos em movimento e de expressão pela dança na cena em que os capoeiristas liderados por Baldo cruzam as yayás – jovens negros e mulheres negras expressando, cada qual a seu modo, seus estilos negros.
e-) Pai Jubiabá – Hall afirma que estas características das culturas negras devem-se ao fato delas não terem o seu centro na logotecnia, por isto as formas de expressão se deslocam para estilos, musicalidades e corpo. O Pai Jubiabá, elemento central na construção da identidade de Baldo é um sujeito de poucas palavras e muitos olhares. A sua expressão facial já é suficiente para expressar os conteúdos necessários. Na verdade é um olhar que expressa também a eloqüência amorosa do pai.
f-) Baldo é capoeira e luta box – Quando o “empresário” Luigi o conhece e que levá-lo para o box, pergunta: “Você luta box?”, Baldo responde “Sou capoeira” (e não “luto capoeira”) – capoeira é uma forma de ser, é um elemento integrante da sua identidade e não uma atividade externa ao seu ethos. Lutar alguma coisa e ser uma coisa aparecem aqui como um diálogo complexo, entre uma lógica discursiva ocidental e outra negra.
http://www.usp.br/nce/wcp/arq/aconstrucaodaidentidade_2texto.pdf

1 Doutora em Multimeios pela Unicamp e professora da Universidade Metodista de Piracicaba. Membro do

Grupo de Pesquisa “Processos Mediáticos e Culturais” E-mail: gelpavan@hotmail.com
2 Doutor em Ciências da Comunicação pela ECA/USP, professor da Universidade de São Paulo e coordenador do curso de Jornalismo da Universidade Metodista de Piracicaba. Coordenador do Grupo de Pesquisa “Processos Mediáticos e Culturais”. E-mail: dennisoliveira@uol.com.br

domingo, 20 de junio de 2010

"A Capoeira", 1906 Kosmos, Revista Artística, Scientifica e Literaria."

Em 1906, a luxuosa Kosmos, Revista Artistica, Scientifica e Literaria, do Rio de Janeiro, publica um artigo de Lima Campos: "A Capoeira", ilustrada por Kalixto. Este artigo, é um registro da construção da capoeira moderna, sua arquitetura tem como base o movimento nacionalista do final do século XIX, o qual se estenderá até meados do século XX. Lima Campos enaltece a vocação cultural mestiça da capoeira carioca e mostra a destruição da capoeira de movimento social, pela República e a gênese da proposta moderna da capoeira; A ginástica Nacional.




"Das cinco grandes lutas populares: a savata francesa, o jiu-jitsu japonês, o box inglês, o pau português e a nossa capoeira, temiveis pelo que possuem de acrobacia intuitiva de elastério e de agilidade em seus recursos e avanços táticos e em seus golpes destros é, sem duvida, a última, ainda desconhecida fora do Brasil, mesmo na América, a melhor a mais terrível como recurso individual de defesa certa ou de ataque impune.


Nas outras (com bem limitada exceção de apenas alguns golpes detentivos ou de tolhimento no Jiu-jitsu e a limitadíssima exceção do célebre círculo defensivo descrito pelo movimento giratório contínuo do pau no jogo português) o valor está no ataque; na capoeira porém, dá-se o contrario: o seu mérito básico é a defesa; ela é por excelência e na essência defensiva. Lima Campos: "A Capoeira", 1906 Kosmos, Revista Artística, Scientifica e Literaria."

viernes, 18 de junio de 2010

1690- Tratado del arte de la Lucha,

L'Académie de l'admirable art de la lutte


1712 Illustrated by: Romeyn de Hooghe, Dutch, 1645–1708 Publisher: Isaac Severinus, Dutch, 18th century
NOTA: Calabar: Historia brasileira do seculo XVII. José da Silva Mendes Leal (1818-1886.)Typ. do Correio mercantil, 1863
(pág 134) Mestre Marçai, não podendo acreditar que os hollandezes tivessem feito tanto arruido para não entrarem, pasmou de se achar face í face com o mosqueteiro, e ainda mais de estar são e escorreito. Verdade seja que tinha escolhido um asylo sagrado.


— Vamos, homem l tirai-vos dahi, que me estais deshonrando esses quartos!—disse o mosqueteiro, pregando tal safanão no aturdido mestre, que lhe fez dar uma serie de gyros, rematados em uma cabriola muito pouco gymnastica.
http://books.google.com/books?id=AbMCAAAAMAAJ&printsec=frontcover&hl=es#v=onepage&q&f=false

1690- Tratado del arte de la Lucha

Fuente libro: Works on horsemanship and swordsmanship in the library of F.H. Huth (1890)

Author: Huth, F. H. (Frederick Henry), b. 1844
Subject: Horses; Horsemanship; Fencing
Publisher: Bath : Seers
Possible copyright status: NOT_IN_COPYRIGHT
Language: English
Call number: 19435502
Digitizing sponsor: Tufts University
Book contributor: Webster Family Library of Veterinary Medicine
Collection: americana; blc
Scanfactors: 15

Gravura: L'Académie de l'admirable art de la lutte


1712 Illustrated by: Romeyn de Hooghe, Dutch, 1645–1708 Publisher: Isaac Severinus, Dutch, 18th century

1714- Tratado de Savate


Gravura: L'Académie de l'Art admirable de la Lutte, reprè'fentê'e en LXXI figures gravées en taille-douce par le célèbre Romain de HooGUE , avec des inftrucYions claires & familières. Leyde, Sevtrinus, 1712. in-^. fig. Traité curieux & fingulier, recherché par rapport aux figures. 12-3-15 liv.
La première Edition de ce Tr.:itê, donnée par Nicolas Petter, a paru en 1674, in-4., les épreuves en font plus belles; mais elle tfl en hollandais, 6- par confcqucnt moins recherchée, fend. 10 liv. chi{ M. Burette, en 1748.

Otras informaciónes

435 Parkins (Sir Tho. Baronet) the Inn-Play or Cornish-Hugg Wrestler.

Nottingham, W. Ayscough, 1714, in-4. fig. v. br. à comp. tr. d. Ce qu'il y a surtout de curieux dans cet ancien traité de savate c'est que l'auteur y dit qu'ayant étudié les mathématiques sous le grand Newton, il a traité le sujet scientifiquement.
 FUENTE: PAG 88., Introduction au catalogue des livres imprimés de M. Libri Escrito por G. Libri (1859)
http://books.google.com/books?id=2HsNAAAAQAAJ&dq=%22Trait%C3%A9+de+Savate%22.&hl=es&output=text&source=gbs_navlinks_s