miércoles, 9 de septiembre de 2009

A Colônia Militar Pedro Segundo




As origens da criação da colônia militar Pedro Segundo encontram-se nos receios do governo imperial causados pela constatação do estabelecimento do posto militar francês no rio Amapá. Ao final dos anos 1830, o governo demonstraria a preocupação em reforçar a ocupação ao longo de rios que desaguavam da Guiana brasileira, Cabo do Norte, em direção ao Amazonas. No início de 1840, o presidente Bernardo Souza Franco faria a análise da ação francesa sobre o território do Império:
O que eu creio he que o Governo Francez suppoz que as
desordens da Provincia davam lugar a renovar com fructo suas tentativas antigas sobre a Costa da Guiana Portugueza desde o Oyapock athe Macapá; e que acolhendo os rebeldes acossados nella poderia prover facilmente estes terrenos, atrahir alguns Indios selvagens, que ainda existem no interior da Guiana Portugueza, e aumentando assim o terreno, e população de sua Colônia, estava mais apto a
tentar novas uzurpações.47 Diante das suspeitas da usurpação do território da Guiana brasileira pelos franceses, o governo imperial havia requerido informações ao governo provincial sobre as povoações ao longo dos rios Jarí, Paru, Anaurapucu e Araguari, e sobre a conveniência de se animar a colonização desses terrenos, de sorte a criar um “cordão de isolamento” caso os franceses tentassem avançar sobre a Guiana brasileira até o Amazonas.
.............Em 1839, o presidente da província, Bernardo Souza Franco,comentando detalhes sobre a ocupação do posto francês de Maracá ao governo central, difundia a informação do estabelecimento de cerca de quinhentos rebeldes estabelecidos na vizinhança do posto dos franceses,entregues à atividade de pesca e agricultura. O governo imperial reagiria com
rapidez. O ministro do Império, no início de 1840, expediria determinação ao presidente da província para que fosse evitado que esses brasileiros permanecessem sob a órbita de influência francesa:
...............Esses habitantes da fronteira, denominado “dissidentes” ou “malvados” na correspondência oficial, eram em grande parte rebeldes refugiados da convulsão da Cabanagem, mas também aventureiros, criminosos, desertores do exército e escravos evadidos.25
...............O segundo eixo de análise que será desenvolvido nesta parte, como já delineado, consiste no empenho sistemático do governo imperial em incorporar indígenas do Grão-Pará no serviço da força de marinha. Embora os indígenas tenham sido também alvo do recrutamento para o Exército, pretende-se privilegiar a análise dos engajamentos para a Marinha, notadamente para o Corpo de Imperais Marinheiros, justamente porque se relaciona com a representação predominante, já citada, de que os indígenas do Grão-Pará eram dotados de características intrínsecas que os convertiam em excelentes navegadores. Tais características seriam, provavelmente, traduzidas nessas representações pela experiência de navegação fluvial que
possuíam os indígenas. As autoridades imperiais percebiam esse capital de experiência de navegação como um manancial de potenciais marinheiros que poderiam suprir as demandas de pessoal da Armada Imperial. Ao longo da década de 1840, foram reincidentes as ordens do governo central para o recrutamento e expedição para a Corte, Rio de Janeiro, de índios com o
objetivo de servirem na Armada.

http://www.tdr.cesca.es/TESIS_UB/AVAILABLE/TDX-0721106-124851//VAM_TESE.pdf

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